Auditores do Estado estiveram entre os convidados especiais do evento em comemoração ao Dia Nacional da Auditora e do Auditor de Controle Externo, realizado em 29 de abril pelo CEAPE – Sindicato e pela Escola Superior de Auditoria Pública (ESAP).
Representando a categoria, os Auditores do Estado Michel de Oliveira Vasconcelos e Robson Jonathan Bittencourt atuaram como painelistas no debate “O papel da Administração Pública na era da inteligência artificial”, que reuniu especialistas de diferentes instituições para discutir desafios, oportunidades e responsabilidades no uso da tecnologia no setor público.

Durante sua participação, Robson Jonathan Bittencourt apresentou aplicações práticas de inteligência artificial voltadas à atividade da Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage), com destaque para soluções que auxiliam na triagem inicial de documentos, identificação de inconsistências e apoio à elaboração de relatórios técnicos. Entre os resultados apontados, estão ganhos operacionais relevantes, com redução de tempo em etapas repetitivas e ampliação do foco do auditor em análises mais complexas.
Ao abordar a iniciativa Aira, projeto desenvolvido na Cage, Bittencourt destacou que a automação precisa operar com mecanismos de validação e manter a decisão final sob responsabilidade humana. Segundo ele, a tecnologia deve ampliar a capacidade técnica das equipes, sem substituir o julgamento profissional.
Na sequência, Michel de Oliveira Vasconcelos trouxe reflexões sobre os desafios estruturais da implantação da IA na auditoria pública. Entre os pontos apresentados, destacou a necessidade de redesenho da gestão de riscos, revisão de protocolos de teste e atenção à instabilidade de versões de sistemas baseados em inteligência artificial.

Michel também alertou para a dependência tecnológica de plataformas privadas estrangeiras em áreas sensíveis do Estado, defendendo alternativas com modelos abertos e infraestrutura local, capazes de fortalecer a soberania sobre dados públicos e dar maior previsibilidade de custos.
Como síntese do debate, os painelistas reforçaram que a inteligência artificial não substitui o auditor. O papel da tecnologia é assumir tarefas operacionais para que o profissional concentre esforços no julgamento crítico, na tomada de decisão qualificada e na geração de valor para a sociedade.
Também participaram do encontro Eduardo Watanabe, advogado da União; Sérgio Fusquine Gonçalves, desembargador do TJRS e presidente do Comitê de Governança em Inteligência Artificial do Tribunal; Larissa Ferreira Caon, defensora pública e assessora do Gabinete do DPG; João Cláudio Pizzato Sidou, subprocurador-geral de Justiça de Gestão Estratégica;
Monique Madeira, auditora de controle externo do TCE-RS; e Thiago Kendi Shiono, auditor de controle externo do TCE-RS.