Auditores do Estado, servidores da Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage), desempenharam papel estratégico na identificação de um esquema de fraude em processos licitatórios para serviços terceirizados no Rio Grande do Sul, que serviu de base técnica para a deflagração da Operação Regenerare da Polícia Civil, na última sexta-feira (12/12).
O apoio à investigação conjunta – conduzida pela Cage e Comissão de Responsabilização da Pessoa Jurídica (CRPJ) – revelou indícios de manipulação de concorrências públicas para contratos de limpeza, merenda, copa e serviços correlatos ao Governo do Estado. Com base em análises de dados da Central de Licitações (Celic), padrões anômalos como rodízio de sócios, uso coordenado de “laranjas” e sincronização de propostas em certames públicos foram levantados, evidenciando tentativa de fraude ao caráter competitivo dos processos.
A ação policial cumpriu 10 mandados de busca e apreensão — em Porto Alegre, Canoas e Alvorada — e resultou no bloqueio de cerca de R$ 60 milhões em ativos financeiros, além da indisponibilidade de imóveis e veículos vinculados aos investigados. As empresas sob apuração teriam figurado em mais de 175 lotes de licitações, com contratos que somam dezenas de milhões de reais, e inclusive chegaram a registrar pessoas com antecedentes e em situação de rua como sócios formais para ocultar o real controle dos negócios.
O auditor do Estado Felipe Pizzato Reis, acompanhado na reportagem da RBS Notícias, destacou que esta foi a terceira grande operação do ano realizada com apoio técnico da Cage, sinalizando ganhos significativos em inteligência e integração institucional para combater práticas lesivas à administração pública. Segundo ele, a cooperação técnica “tem se aprimorado cada vez mais” e reforça a necessidade de mecanismos preventivos e revisões contábeis como instrumentos adicionais de governança.
Para o Sindicato dos Auditores do Estado, a atuação da carreira na identificação e suporte técnico a operações como a Regenerare reafirma o compromisso com a integridade dos processos públicos, a transparência na gestão das contratações e a proteção dos recursos públicos em benefício da sociedade gaúcha — pilares essenciais para o fortalecimento da cultura de conformidade e integridade no serviço público.
Créditos: rs.gov.br